26 Março, 2008 de tabuleirocultural
pietra diwan
historiadora EUA - miami
miami made in Brasil
(Obs.: Brasil com “s”, sempre!)
O que a cidade de Miami significa para a maioria dos brasileiros?
Paraíso fiscal onde os corruptos do país levam o nosso dinheiro e torram em apartamentos espetaculares e vivem uma vida loca; paraíso do consumo para a classe-média endinheirada pero no mucho que vem à Miami comprar mil bugigangas com o preço muuiiittoo mais barato porque não estão carregados de impostos, ou paraíso do trabalho, alternativa para imigrantes ilegais fazerem serviços que jamais fariam no Brasil - como servir mesas ou entregar pizzas – para poder ganhar em dólar e mandar o dinheiro para a família.
Pois é! Miami é tudo isso e muito mais, mas está longe de ser um paraíso para mim. Eu vivo em Miami há um ano e ainda sigo me acostumando com o cotidiano dessa cidade-país hiper latinizada localizada no dedão do pé dos Estados Unidos.
Para mim Miami não se enquadra em nenhuma das descrições acima. Aliás, se um dia pensei em algum lugar que NÃO gostaria de visitar, esse lugar era Miami. Aqui, eu sou uma historiadora classe média lutando para não se mediocrizar pelo ambiente la vie en rose. Mas assim como eu, já encontrei muitas brasileiras, esposas de maridos “multinacionais”, transferidos do Brasil para “fazer na América Latina o que foi feito lá” vítimas da mesma síndrome. Como viver em Miami sem enlouquecer!?
Pois bem, meus textos nesse Tabuleiro Cultural estarão sempre ancorados nesse dilema: ser uma brasileira com formação intelectual “legalizada” em Miami. Das dificuldades, dos episódios engraçados e do lado B dessa cidade ainda desconhecida do Brasil, apesar dos pre-conceitos disneylandianos. Até porque vivo aqui e aprendi – e ainda aprendo – a extrair o que a cidade pode me oferecer de melhor e de pior, muitas vezes matando a saudade desse “Brasilzão” e repensando a responsabilidade patriótica que tenho com meu país.
Esse espaço pretenderá a cada publicação mostrar também pelo menos uma “dica” nova para os brasileiros que, como eu, nunca pensaram em vir para cá. Talvez sigam sem vontade de fazer essa viagem, mas pelo menos será uma pequena contribuição para a queda desse paradigma.










