acabo de chegar de uma viagem de uma semana em são paulo.
é impressionante a quantidade de informações e registros que fazemos quando retornamos e nos deparamos com uma realidade bem distinta que é a da cidade do salvador, para mim, voltando de viagem, quase um local de veraneio.
não significa dizer no meu juízo que uma é melhor ou pior do que a outra, mas que cada uma em essência tem algo de bom, de proveitoso e útil para se aplicar na nossa vida diária.
o que sinto principalmente como cidadão e artista é uma velocidade de experiências multisensoriais compartilhadas, é uma profusão de talentos vistos e valorizados pelos seus dons e esforços, é uma vitrine a céu aberto onde quase tudo pode ser tocado, vivido, experimentado, ainda que de longe, ao sabor das fachadas de vidros e espelhos.
exposições de porte internacional, quadros, obras de grandes mestres a menos de um palmo de distância. um panorama sobre a arte mitológica produzida na grécia, roma e civilizações antigas me aproximou de uma realidade antes só vista em livros de arte, no MASP; uma viagem ao mundo das palavras e poesias da literatura brasileira, acompanhada de uma bela montagem cenográfica das obras de gilberto freire. o mundo das letras interagindo com a arquitetura, o design, a moda, o mobiliário no museu da língua portuguesa. falando em mobiliário, é só charme e elegância o café e seu encantador jardim nos páteos antigos do solar do museu da casa brasileira: uma viagem pela história do Brasil a partir do mobiliário feito no país em todos os seus estilos.
tarsila do amaral virada ao avesso, em fotografias, nas suas pinturas lindas antropófagas de um Brasil que ainda tenta se redescobrir, presente na arquitetura de tijolinhos da pinacoteca interferida por placas de ferro e vidros de bronze espelhados.
o frio favorece a leitura estética da cidade. o figurino charmoso misturando listras, xadrezes, linho, lã, sempre acompanhado de um básico all star, executivos impecáveis de tanta elegância esbanjam charme com a mochilinha nas costas, ritmo, bossa, fino trato, andando pela paulista, temos a exata noção de como o dinheiro quando bem aplicado só nos favorece.
bairros com vida própria, bairros com vida de rua, de esquinas. a boemia acompanhada de um belo café com licor ou chocolate quente italiano, sanduíches de salames importados, padarias e luxuosas delicatessens tratam de abastecer fartamente a cidade dos pecados e prazeres libidinosos da gula. todos se encontram no inicio da manhã ou fim da tarde para aquecer-se do frio gostoso que bate nas bochechas avermelhadas das peles branco-adamascadas dos paulistanos. cinemas de rua, lojas de rua, sobrados e escritórios, galerias, a vida passa na rua. o assunto é o mundo. o assunto é a vida compartilhada, os livros, as músicas, as exposições, a arte é o tema que envolve e embala a cidade.
sempre que vou a são paulo sinto saudades. é muito bom como artista e cidadão de salvador poder trazer um pouco dessa realidade que fomenta, que produz, que viabiliza, que gera recursos, opções e proporciona às pessoas mais qualidade de vida e prazer.
o tempo urge, não precisamos ser vítimas da eterna exigência ou da supra suma eficiência, nao precisamos exagerar na frieza e falta de sorriso dos paulistanos, ou na comida muitas vezes nem sempre saudável, porém precisamos de ação, de mais informação. precisamos usar nossas habilidade e talentos e correr atraz do tempo perdido, dessa letargia de alma, ancestral que muitas vezes paralisa e impede o nosso fluxo, o nosso crescimento. hábitos de um Brasil colônia que ainda nos escraviza pela fofoca e interesse pela vida alheia, pela ausência de gerência e organização da própria vida, pelo mal costume de aceita-se facilmente “cavalo mandado”, pela lentidão das carroças, pela falta de estudos e o interesse de ser fachada, de estar na moda, de viver o fluxo sem saber-se, sem entender-se, repetindo, repetindo, repetindo….onde o nome e a tão louvada tradição valem mais a pena do que o que é de fato consistente e importa: conteúdo, dom, talento, essência.
agir. ação. é esse enfoque que trago para a minha vida, aprendido mais uma vez com a cidade de sampa. transformar a nossa atitude para melhorar a realidade da cidade que vivemos.











