“brasileiros de miami, uni-vos!” - por pietra diwan
10 Abril, 2008 de tabuleirocultural
pietra diwan
historiadora
EUA - miami
Brasileiros de Miami, uni-vos
Posso apostar que todo o brasileiro que já morou fora do país teve que encarar dois sentimentos durante o tempo afastado das terras tupi-guarani: a incompreensão estrangeira sobre a diversidade do Brasil e o orgulho nacionalista aflorado em momentos inexplicáveis. Apesar de que algumas pessoas, durante suas viagens repetem incessantemente: “no Brasil não é assim…. que maravilha…. isso é que é primeiro mundo!”
Mas quantas vezes em terra estranha, você, quando se apresentou como brasileiro ou brasileira, não foi obrigado a engolir o “outro” dizendo de maneira maliciosa: “Brasil…. Samba! Carnaval! Rio de Janeiro! Ronaldinho! Caipirinha! Feijoada! Bossa Nova!” É nesse momento que ser brasileiro adquire significado. Oras bolas, nós não somos só isso! Esses clichês são apenas uma pequena parte da nossa cultura e um milésio da nossa profundidade como nação.
Eu sou brasileira e é claro que gosto do nosso carnaval, do futebol, da feijoada e da Bossa Nova. Mas eu gosto e desgosto também de muitas outras coisas do Brasil. Sou apaixonada pelo meu país. Por isso fico ressentida com nossa pouca expressividade em Miami, em meio à uma comunidade hispânica gigantesca mas não menos importante. O certo é que “nem toda a brasileira é bunda”, como disse Rita Lee e, é muito difícil fugir do estereótipo.
Em Miami, o Brasil é clichê. O brasileiro é alienado, classe média e gastador quando em Miami. Brasil, o país “sortudo” que tem Lula, o presidente moderado e semi-esquerda.
O Brasil aqui, significa também grandes negócios. De acordo com dados da Câmera de Comércio Brasil-Estados Unidos, o Brasil é o segundo país que mais exporta para a Flórida, perdendo para o Japão. São peças de aviação, madeira, equipamento eletrônico, maquinaria industrial, sapatos, café, material combustível e sucos de frutas, todos “made in Brasil”. E o Brasil é o país para onde a Flórida mais exporta com o dobro do volume do segundo lugar da lista, a Venezuela.
Meu orgulho brazuca, muito além do Zé Carioca fica à flor da pele todas as vezes que tenho que comprar picanha para fazer churrasco numa “carniceria” argentina. Quando tenho vontade de comer coxinha e acabo comendo alguma iguaria hispânica como arepas, empanadas ou tequeños. A questão não é consumir à diversidade latino-americana, mas sim o Brasil que está disponível em Miami. Tomo guaraná, como feijão, posso fazer brigadeiro quando quiser. Mas, e o nosso orgulho, nossa bandeira, nossa raça? Por isso convoco, “brasileiros de Miami, uni-vos!”, não para tagarelar sobre o american dream mas para lembrar e exaltar que há um coração verde-amarelo-azul-e-branco estampado em nossas histórias.










