“dá pra fazer melhor” - por daniel maior
10 Abril, 2008 de tabuleirocultural
daniel maior
escritor
BRA - salvador
Dá pra fazer melhor
Um dia desses, em uma das turmas do curso de Administração em que ensino, resolvi aplicar uma técnica para estimular a participação ativa dos estudantes. Essa técnica – o método do caso, bastante utilizada em reconhecidas universidades norte-americanas, consiste, em síntese apertada, na leitura de um texto de aproximadamente 15 páginas, que retrata um problema real de determinada empresa e para o qual se busca uma solução. A partir da leitura, são sugeridas três etapas: a) análise individual, b) análise em pequenos grupos e c) discussão aberta com toda a classe. No final das contas, percebe-se como, para todo problema, existem diferentes alternativas de solução – e não uma única “resposta certa”.
Durante a segunda etapa, ou seja, a discussão em pequenos grupos de três ou quatro pessoas, um dos estudantes, uma mulher de aproximadamente 28, 29 anos de idade, fez um comentário daqueles que fazem a gente contar até dez antes de dar uma (boa) resposta: “Hoje o professor não quer dar aula. Deu esse texto pra gente ler, depois discutir…e só!”.
Acabei explicando, gentilmente, a diferença entre os principais métodos de ensino, suas aplicações e principais vantagens e desvantagens. Entretanto, o que me marcou mesmo foi a reflexão sobre esse tipo de atitude – ou ausência dela. Quantas vezes nos sentamos, passivos, e esperamos que o professor vá pra frente da classe e “faça sua parte”? Quantas vezes abrimos mão da responsabilidade pelo nosso próprio resultado, atribuindo ao professor, ao colega de trabalho, ao chefe, aos pais, ao governo, os créditos – ou culpa - pelo nosso desempenho? Em quantas ocasiões nos acomodamos confortavelmente, damos “férias para nossos pés”, e desperdiçamos a oportunidade de aprender, de crescer e de descobrir coisas maravilhosas que apenas aqueles que têm a coragem de levantar e fazer experimentam?
Prosperar depende de cada um. As barreiras são criações de nossas mentes, cuja existência aceitamos passivamente – afinal, por que outros não as enxergam? Todos os dias temos infinitas oportunidades de fazer melhor, fazer diferente, experimentar, errar, acertar, aprender, errar de novo, crescer, vencer, celebrar. E a diferença entre o sonhador de fim de semana e o realizador do dia a dia está na decisão consciente de tirar a bunda do sofá e agir. Agora.










